O novo normal: desfile online da Dior!

A grife exibiu as peças, delicadas e elegantes, por meio de um curta-metragem surrealista dirigido por Matteo Garrone que resgata tradição dos anos 1940

Inspirada na exposição Théâtre de la Mode, criada em 1945 por designers franceses para angariar fundos aos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial e também ajudar a manter a indústria da moda nesse período, a diretora criativa da Dior, Maria Grazia Chiuri, apresenta um vídeo com a coleção de Alta-Costura Outono-Inverno 2020/2021 da grife.


Intitulado Le Mythe Dior, o curta-metragem apresenta criaturas mitológicas, como sereias, ninfas e faunos, para fazer alusão à exposição Théâtre de la Mode de 1945, em Paris. O enredo conta como as divindades mágicas, distraídas em um rio sob uma antiga ponte romana, se apaixonam pelas peças em miniatura da Dior carregadas em um baú.

Imagens surrealistas conseguem tornar visível o invisível. Estou interessada no mistério e na magia, que também são uma maneira de exorcizar a incerteza sobre o futuro”, diz Maria Grazia Chiuri sobre sua Coleção de Alta-Costura Outono-Inverno 2020-2021.


A alquimia é uma forma de mágica, então a transformação de imagens, ou corpos, na arte, age na substância psíquica/dos sonhos* (Leonora Carrington)


O conceito de filme, como trabalho de arte e plataforma artística, sempre me cativou. Muitas vezes, pensei em experimentá-lo no intuito de reproduzir a atmosfera única da alta-costura. O cinema é uma arte ao mesmo tempo criativa e artesanal, uma obra autoral e coletiva. É muito parecido com o savoir-faire da moda”, explica Maria Grazia Chiuri na apresentação de sua Coleção de Alta-Costura Outono-Inverno 2020-2021. Uma coleção que evoca muitas inspirações e explora novos horizontes. Uma história construída com inúmeros contos, paixões e curiosidades que alimentaram o espírito da Diretora Criativa das coleções femininas da Dior durante esse período em suspensão, que mal acabou, se é que realmente acabou.

Devido à pandemia do Covid-19, os desfiles desta temporada de alta-costura em Paris serão em formato digital.
Vai ser curioso porque Christian Dior surgiu logo após a Segunda Guerra mundial, momento semelhante ao que estamos vivendo. E os criadores de alta-costura, para enfrentar o racionamento de tecidos, fizeram seus modelos em minimanequins.

“O Mito Dior“, vídeo da coleção de alta-costura inverno 2020/21, é dirigido pelo italiano Matteo Garrone (de “Gomorra”, “Pinocchio”, “Dogman” e outros) e foi filmado em Roma. Espécie de conto de fadas com deuses míticos, faz uma homenagem ao “Théâtre de la Mode”, evento que levou os modelos de alta-costura criados em miniatura para itinerância pelo mundo em 1945, no pós-Guerra.


Neste período singular ainda marcado pelo confinamento, Maria Grazia Chiuri projetou suas criações de alta-costura Outono-Inverno 2020-2021 com inspiração no Théâtre de la mode. Esse evento único, iniciado em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, buscava destacar a alta-costura francesa no mundo, numa época em que a indústria têxtil, a logística do transporte e a apresentação das coleções estavam totalmente abaladas. Ele trazia a elegância como uma questão de emoção e de sonho, um símbolo eterno de poesia e joie de vivre. Perpetuando essa reinvenção com uma grande energia criativa, a Diretora Artística das coleções femininas da Dior projetou trinta e sete silhuetas de alta-costura em miniatura, demonstrando a quintessência da excelência dos Ateliês Dior. 

Uma proeza audaciosa para as petites mains que, mais uma vez, enfrentaram esse desafio virtuoso em um diálogo exigente e infinitamente meticuloso com o savoir-faire. Fruto de um desejo de surpreender e de se renovar, esta coleção destaca a beleza do gesto que esculpiu, moldou e sublimou estas criações excepcionais. 

Trabalhar em escala reduzida proporciona aos artesãos da Maison a oportunidade de se reapropriar e de elaborar técnicas preciosas, como os bordados e os plissados feitos à mão, milimetricamente calculados, mas também de transpor, em manequins de cinquenta e cinco centímetros de altura, o essencial da alfaiataria: da tela branca à suntuosidade dos drapeados, dos abotoamentos à precisão dos forros, dos cortes dos tecidos ricamente diversificados às etiquetas com o símbolo da Maison em miniatura.

Seis looks também foram realizados em escala real, baseando-se nos modelos reduzidos. Provocando grande fascínio, essas silhuetas cativantes refletem a paixão da Maison pela transmissão do savoir-faire e atuam como uma preciosa fonte de inspiração e um símbolo de esperança.

“Não estávamos tentando fazer algo como um desfile de moda, queríamos contar uma história. Também gosto do fato de Matteo Garrone fazer filmes como um artesão – que é a minha forma de fazer moda”, afirmou Chiuri.