LVMH: conheça a história de um grupo que não pára de crescer e está por trás de grifes como Christian Dior, Louis Vuitton e Tiffany & Co.

LVMH são quatro siglas que intitulam a maior holding, ou conglomerado de grifes do mundo. A “Moët Hennessy Louis Vuitton SE”, ou LVMH, é responsável por 75 grifes de 6 setores do mercado de luxo: moda e artigos de couro, relógios e jóias, perfumes e cosméticos, vinho e destilados, seletas lojas de varejo e também arte, cultura e estilo de vida. Juntas, elas somam 4,5 mil lojas ao redor do mundo, e em 2019 fecharam um balanço de vendas em nada menos que US$ 60 bilhões. Cerca de 25 dessas marcas já possuem legado histórico no mercado mundial, enquanto outras 5 têm menos de cinco anos desde sua criação. Mas o quê todas as grifes da LVMH têm em comum?

Em primeiro lugar, o francês Bernard Jean Étienne Arnault, empresário e magnata francês, fundador do grupo. Depois de trabalhar como engenheiro e dirigir a empresa de construção de seu avô por 15 anos, ele se desiludiu com o ambiente político da França pela chegada de um socialista no poder, em 1971. Se dirigiu, então, aos Estados Unidos em busca de negócios, e no ano de 1984, com 35 anos, comprou o grupo de artigos de luxo Financière Agache. Segundo o mesmo, um dia, andando de táxi em Nova Iorque, questionou o motorista a fim de saber se este conhecia o presidente da França, Georges Pompidou, na época. O motorista respondeu: “Não, mas conheço Christian Dior”.


No mesmo ano, Arnault soube que a Dior estava à venda. Desde 1947, o brilhante estilista fazia sucesso nas passarelas com o chamado New Look, uma nova tendência de realçar as curvas femininas, resgatando sua feminilidade nas peças. O principal investidor de Dior até então havia sido seu amigo Marcel Boussac, dono de uma grande empresa de tecidos de algodão. De 1946 a 1957, os dois impulsionaram sua marca, porém, em 1956, com a morte de Boussac, sua empresa têxtil foi parar nas mãos de outros investidores. Em 1984, a Boussac já havia declarado falência, e o governo francês procurava um novo investidor para o negócio.

Com US$15 milhões seus e de sua família, Arnault comprou parte do negócio, valor complementado com a ajuda de US$45 milhões da consultoria financeira Lazard Frères. No comando da Boussac, ele demitiu a maioria de seus funcionários, vendeu grande parte dos negócios, e manteve a sua menina dos olhos de ouro: a Christian Dior Couture, além da loja de departamento Le Bon Marché. Essa jogada o intitulou “uma força a ser reconhecida nos negócios franceses”, pela imprensa da época.

Vestido nude e prata Christian Dior, da curadoria Peguei Bode.
Bolsa clutch Christian Dior, da curadoria Peguei Bode.

Por seu subsequente interesse na sessão de perfumes da Dior, Arnault se deparou com mais uma oportunidade de mercado. A sessão pertencia ao grupo Louis Vuitton Moët – a junção da tradicional dinastia de Champagne, fundada por Claude Moët em 1753, e da maison parisiense fundada em 1854. Na época, os diretores das duas grifes não se entendiam, e Arnault mediou o conflito diplomaticamente. Logo depois, ofereceu a compra do grupo, o que realizou com sucesso.
Pivô dessa jogada estratégica, a Louis Vuitton é sua grife “queridinha” até hoje, assumidamente. Por fim, ele mudou o nome do Louis Vuitton Moët, seu terceiro grupo de negócios, para Moët Hennessy Louis Vuitton SE, ou LVMH, se tornando o fundador e presidente de sua própria holding aos 38 anos de idade.

Porta-terno Louis Vuitton da curadoria Peguei Bode.
Tênis Louis Vuitton, curadoria Peguei Bode.

Assim como a Moët, a tradicional produtora de Cognac, Hennessy, fundada em 1765, também fazia parte do grupo há anos. As duas receberam o mérito de nomear a primeira divisão de bebidas espirituosas da LVMH, chamada Moët Hennessy. A sessão conta atualmente com 22 casas excepcionais, a exemplo da Veuve Clicquot e da Guinness.

Sobre seu sucesso exponencial, Arnault uma vez disse à CNBC: “Nos anos 90, eu tinha a ideia de um grupo de luxo e na época fui muito criticado por isso. Lembro-me de pessoas me dizendo que não fazia sentido reunir tantas marcas. E foi um sucesso… E nos últimos 10 anos, todos os concorrentes estão tentando imitar, o que é muito gratificante para nós. Eu acho que eles não são bem sucedidos, mas eles tentam.”

De fato, entre 1987 e 2020, o sucesso, a influência e o poder de mercado da LVMH cresceram muito. Vamos dar uma rápida olhada em sua linha do tempo:

Em 1988 foi a vez da Givenchy entrar para o grupo. Criada em 1952 pelo aristocrata francês Hubert-James Marcel-Taffin Givenchy, a grife teve por muitos anos a atriz Audrey Hepburn como musa inspiradora, e como um dos mestres de seu fundador, o estilista espanhol Cristóbal Balenciaga. Confira algumas peças:

Bolsa Givenchy Lucrezia, curadoria Peguei Bode.
Óculos de Sol Givenchy, da curadoria Peguei Bode.

• Em 1993, a Kenzo, consagrada marca de perfumes, cosméticos e roupas, fundada no Japão pelo estilista Kenzo Takada em 1970, foi adquirida pelo grupo por US$80 milhões. Aqui uma de suas peças:

Blusa da Kenzo, curadoria Peguei Bode.

Em 1996, a Céline, tradicional grife parisiense criada pelo casal Céline e Robert Vipiana, foi oficialmente adquirida pelo grupo por US$40 milhões. Parte de seu capital já era financiado por Arnault desde 1987. Seus sapatos, acessórios e suas bolsas são atemporais dentro do mercado de luxo. Veja aqui algumas delas:

Bota Céline Paris, curadoria Peguei Bode.
Bolsa Céline Phyttom, curadoria Peguei Bode.

 No ano de 1997, a marca Marc Jacobs, deste icônico estilista americano, se integrou a holding. No mesmo ano, ele passou a diretor criativo da Louis Vuitton, cargo que ocupou por 16 anos. Algumas das fabulosas peças Marc Jacobs:

Vestido Marc Jacobs longo, curadoria Peguei Bode.
Bolsa clutch Marc Jacobs, da curadoria Peguei Bode.

Ainda em 1997, a Sephora, rede francesa de cosméticos que ganhou o mundo, entrou para o grupo e passou a crescer copiosamente.

Em 1999, uma pequena parte do grupo Gucci foi comprada pela LVMH, mas, na época, Arnault declarou que a intenção era deixar a grife independente, o que se mantém até hoje. Confira algumas das majestosas peças da Gucci:

Vestido florido Gucci, curadoria Peguei Bode.
Bolsa Gucci Dionysus, curadoria Peguei Bode.

Já no ano 2000, a Emilio Pucci, fundada por este brilhante artesão, político e empresário de moda florentino, foi adquirida pelo grupo – que hoje detém 67% de suas ações. Algumas  de suas belíssimas peças:

 Vestido curto Emilio Pucci, curadoria Peguei Bode.
Blazer florido Emilio Pucci, curadoria Peguei Bode.

Ainda no ano 2000, a Fendi, grife romana criada pelo casal Adele Casagrande e Eduardo Fendi em 1925, teve algumas de suas ações comprada pela LVMH e pela Prada. Em 2001, a parcela da Prada foi vendida a holding, que ficou com 51% da marca. Em 2003, esse percentual subiu para 83%. Confira algumas peças da Fendi:

 Bolsa Fendi By the Way, curadoria Peguei Bode.
Pochete Fendi, curadoria Peguei Bode.

 Em 2001, a Hermès vendeu 4,9% de suas acões ao grupo, através de subsidiárias. Somente em 2010 esse percentual aumentou e, em 2013, atingiu os 23%. A tradicional grife ainda é dirigida pelos herdeiros de seu fundador Thierry Hermès (1801-1878), alemão que produziu e comercializou itens de cavalaria artesanais durante 50 anos na França. Em 2015, um processo judicial inédito fez com que a LVMH distribuísse suas ações da marca, o que se mantém até hoje. Confira algumas das tradicionais peças Hermès aqui:

Bolsa Kelly Hermès, curadoria Peguei Bode.
 Bolsa Constance Hermès, curadoria Peguei Bode.

Ainda em 2011, a luxuosa joalheria italiana Bvlgari, fundada em 1884 pelo artesão de origem grega Sotirio Bulgari, foi vendida a LVMH por US$6,1 bilhões. Diferentes gerações de sua família expandiram os negócios da maison ao longo do tempo, mas o controle de sua marca foi negociado por 3% de todo o grupo LVMH.

Relógio Bvlgari exclusivo, curadoria Peguei Bode.

Por fim, somente em 2017 a Dior foi tecnicamente incorporada a LVMH, por um valor total de US$13.1 bilhões. Mais algumas peças da refinada maison:

Bolsa Lady Dior, curadoria Peguei Bode.
Sapato Scarpin da Dior, curadoria Peguei Bode.

Mesmo em um grupo multimilionário como esse, em que o céu é o limite, os princípios éticos da LVMH se mantém em valores como excelência, inovação, além de um espírito eternamente empreendedor. O grupo incentiva a liderança e o empreendedorismo entre jovens, organiza eventos que promovem a troca de conhecimentos práticos em business, além de se preocupar com responsabilidade social e ambiental. O desenvolvimento sustentável é tido como sua prioridade.
Em julho de 2019, a holding se uniu a estilista inglesa Stella McCartney, que é conhecida por ser pioneira na defesa dos direitos dos animais, além de vegetariana. Ela também promove iniciativas que incentivam o mercado de luxo de segunda mão mundo afora, assim como é feito aqui no Brasil através do Peguei Bode.

A postura da estilista coloca esses valores éticos sob os holofotes, sem se isolar do mercado de luxo. Em suas peças não se utilizam couro e nem pele animal, somente o sintético, e segundo Arnault, isso foi um fator considerável para sua parceria com o grupo, nos dias de hoje. Algumas das peças Stella McCartney:

Bolsa clutch Stella McCartney, 100% cruelty free, da curadoria Peguei Bode.
Saia Stella McCartney, 100% cruelty free, curadoria Peguei Bode.

Mais uma mulher, empresária e filantropa de sucesso, a cantora Rihanna, fechou uma parceria de sucesso entre a Fenty, sua grife autoral, e a LVMH. A Fenty Beauty, sua bem sucedida linha de maquiagem e produtos de beleza, já era distribuída pela holding desde 2017. Mas, desde 2019, todos os produtos da Fenty fazem parte do negócio. Com isso, Rihanna se tornou a primeira mulher negra dentre os líderes do grupo de grifes de luxo, um fator importante no quesito representatividade, e algo que a cantora chegou a agradecer pela oportunidade em suas redes sociais. Suas peças são para vários tamanhos, cores de pele e gêneros, algo importante e inovador neste nicho.

Depois de passos inéditos em sua trajetória, a última grife negociada pela LVMH foi a Tiffany & Co., em fevereiro de 2020. Depois de meses de negociação, todos os acionistas dessa que é a joalheria mais famosa do mundo, de origem estado unidense, fecharam um acordo sobre a sua venda para a holding por cerca de US$16 bilhões.

Essa que foi a maior e mais recente aquisição da LVMH só comprova que é possível determinar a sua linha do tempo, mas jamais o seu destino e resultado final. O tamanho do sucesso e poder dessas quatro letrinhas ainda nos são uma incógnita.

Anel Soleste de diamantes da Tiffany & Co., curadoria Peguei Bode.